De ser mulher e outras coisas...
Sempre me considerei sortuda por não me ter calhado em sina, nascer ou viver num país como o Irão ou o Paquistão onde os direitos das mulheres não existem. Não me imagino sem as minhas prerrogativas ou enfiada dentro de uma burka bafienta o dia todo. Com a personalidade que tenho imagino que acabaria morta ou fugida para outro país a duras penas. Por isso sinto-me feliz por viver num país europeu que amo até à exaustão. Que me viu crescer e tornar mulher. Que me permite conduzir, namorar à vontade na rua, votar, estudar, trabalhar, viajar e por aí fora. Sinto-me feliz até pensar na minha condição de mulher e entender que não sou assim tão livre. Não ando de burka - aquela coisa negra horrorosa que cobre a mulher de cima abaixo que a transforma em sombra - mas também não posso andar de mini-saia, não posso usar calções (sejam pelo joelho ou a verem-se as bordas das nádegas), decotes muito fundos, t-shirts justas que desenham com perfeição o contorno dos seios e por aí fora. Quer dizer, ...